Ouro de tolo - depressão

Ouro de tolo é uma canção de autoria de Raul Seixas, ao atualizar o significado da letra para o contexto do século XXI, ano de 2026,  é impossível não pensar num texto do sujeito em plena depressão. 
Eu como psiquiatra em algumas oportunidades imprimo o texto e distribuo entre os pacientes presentes na terapia de grupo. Solicito aos pacientes de forma espontânea aqueles que assim desejarem manifestarem opiniões ou os sentimentos que a música inspiram neles. A música foi redigia em 1973, cinquenta e três anos atrás, daí a genialidade de Raul Seixas, homem a frente do seu tempo, e a letra diz muito da epidemia de depressão que assola o país.
Eu devia estar contentePorque eu tenho um empregoSou o dito cidadão respeitávelE ganho quatro mil cruzeiros por mês
Eu devia agradecer ao SenhorPor ter tido sucesso na vida como artistaEu devia estar felizPorque consegui comprar um Corcel 73
Eu devia estar alegre e satisfeitoPor morar em IpanemaDepois de ter passado fome por dois anosAqui na Cidade Maravilhosa
Ah! Eu devia estar sorrindo e orgulhosoPor ter finalmente vencido na vidaMas eu acho isso uma grande piadaE um tanto quanto perigosa
Eu devia estar contentePor ter conseguido tudo o que eu quisMas confesso, abestalhadoQue eu estou decepcionado
Porque foi tão fácil conseguirE agora eu me pergunto: E daí?Eu tenho uma porçãoDe coisas grandes pra conquistarE eu não posso ficar aí parado
Eu devia estar feliz pelo SenhorTer me concedido o domingoPra ir com a família no Jardim ZoológicoDar pipoca aos macacos
Ah! Mas que sujeito chato sou euQue não acha nada engraçadoMacaco, praia, carro, jornal, tobogãEu acho tudo isso um saco
É você olhar no espelhoSe sentir um grandessíssimo idiotaSaber que é humano, ridículo, limitadoQue só usa 10% de sua cabeça animal
E você ainda acreditaQue é um doutor, padre ou policialQue está contribuindo com sua partePara o nosso belo quadro social
Eu é que não me sentoNo trono de um apartamentoCom a boca escancarada, cheia de dentesEsperando a morte chegar
Porque longe das cercas embandeiradasQue separam quintaisNo cume calmo do meu olho que vêAssenta a sombra sonora dum disco voador
Ah! Eu é que não me sentoNo trono de um apartamentoCom a boca escancarada, cheia de dentesEsperando a morte chegar
Porque longe das cercas embandeiradasQue separam quintaisNo cume calmo do meu olho que vêAssenta a sombra sonora dum disco voador
Fonte: Musixmatch
Compositores: Raul Seixas

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