Internação psiquiátrica

Internação psiquiátrica

Ocorre em caráter voluntário. Este é o primeiro debate e faz toda diferença no meu trabalho. Discussão exaustiva no meio acadêmico e naqueles profissionais que militam a psiquiatria no dia a dia por anos a fio. Optei pela recomendação, sugestão e indicação da internação. Não estabeleço como critério a obrigatoriedade e compulsoriedade.  Argumentos científicos é a ferramenta da qual disponho para convencer a família e aos pacientes que a opção da internação é a melhor terapêutica para aquele momento. São inúmeras as variáveis que compõe o rol de preliminares para tomada da decisão de facultar ao  paciente a hospitalização.

Na dependência química, a desintoxicação e abstinência dentro da unidade hospitalar são mais fáceis de ser alcançada. O paciente tende a recusar a internação e se vale de um discurso rico de argumentos racionais e lógicos, plausíveis, porém factíveis de não serem cumpridos, mais fantasiosos e mentirosos. Contumaz e obstinado contrariando toda a realidade insiste que não é necessária à internação, vai parar de usar as drogas. A família o acompanha,  saiu de casa determinada a internar o parente, diante das argumentações,  titubeia, assume o tão rotineiro papel ambivalente, embarcando nas teorizações,  muda de lado, se alia ao paciente, concorda em dar-lhe mais uma chance para o tratamento domiciliar. Obviamente é decisão equivocada,  o paciente retorna para o lar, prossegue o roteiro e o script anterior, invernado nas drogas.

No idoso desorientado, confuso, repetitivo, inquieto e insone. A noite é  pior, não dormindo o idoso perturba o ambiente da casa. Estes são os principais sintomas que determinam a internação. Descartada doenças orgânicas, o diagnóstico mais provável é demência ou depressão, ou ambas. Esse paciente tem todas as condições para receber o tratamento em casa não sendo necessária a internação. Porém o tratamento domiciliar bem sucedido exigirá algumas considerações e adaptações. Quem estará disponível para cuidar do (a) paciente, marido ou esposa, filho ou filha, neto ou neta, haverá rodízio, estará a cargo de profissional de enfermagem, cuidadores. Qual o local aonde o/a paciente reside, na própria residência ou está morando de favor com algum parente.

Internar o paciente deprimido poderá ser a última e única atitude terapêutica para se evitar o suicídio. Aplicar sedativo, induzir a sonoterapia supervisionada pelo psiquiatra e pela enfermagem são recursos valiosos para permitir ao paciente recuperar a capacidade de pensar e raciocinar, quem sabe, ao acordar conscientizar de que ainda vale a pena viver.

A depressão tem múltiplas facetas, como aquela manifestada por dor inespecífica persistente, a melancolia, tristeza profunda acompanhada da anedonia.  Foram inúmeros tratamentos com emprego de antidepressivos e outros fármacos, tentativas em vão, com sofrimento mental contínuo, imputando ao paciente a penalidade do isolamento, da imobilidade e do apragmatismo. A família também está exausta e desesperançosa quanto à possibilidade de algum tratamento devolver ao deprimido prazer nas tarefas cotidianas. A internação está indicada, representa a mudança de ambiente, instalar a disciplina dos horários da ingestão diária dos medicamentos e aliviar a sobrecarga transferencial da família, bloqueando a pressão afetiva de desejo da melhora.

Jovens com baixo limiar as frustrações desenvolvem quadro psicopatológicos dissociativos, fúrias mutiladoras, utilizando de objetos tais como giletes e facas, cortando a si mesmos. São trazidos ao atendimento de emergência psiquiátrica, familiares apavorados, buscam socorro para os filhos. Implícito o receio do suicídio, algumas vezes chegam as vias de fato, mas na maioria evoluem para conversão agregando os ganhos secundários dentro do contexto familiar. A intervenção mais apropriada é a sedação e internação. Internação que pode durar apenas algumas horas ou no máximo três dias.

No Site Vittude.com/blog encontrei o conceito que considero adequado para psicose. Psicose é um transtorno mental que faz com que as pessoas percebam ou interpretem as coisas de maneira diferente das pessoas que as rodeiam. Isso pode envolver alucinações ou delírios. A palavra psicose é usada para descrever condições que afetam a mente, onde houve alguma perda de contato com a realidade. Durante um episódio psicótico, os pensamentos e percepções de uma pessoa são perturbados e o indivíduo pode ter dificuldade em entender o que é real e o que não é. Os sintomas da psicose incluem delírios (falsas crenças) e alucinações (ver ou ouvir coisas que os outros não vêem ou ouvem). Outros sintomas incluem discurso incoerente ou sem sentido e comportamento impróprio para a situação. Uma pessoa em um episódio psicótico também pode apresentar depressão, ansiedade, problemas de sono, isolamento social, falta de motivação e dificuldade de funcionamento geral. A psicose pode estar presente em muitas doenças mentais, mas atenção especial os transtornos afetivos bipolares e a esquizofrenia.  A internação constitui procedimento adequado, o tempo de permanência hospitalar dependerá da evolução.

Dr. Júlio César de Almeida Barros Psiquiatra com 36 anos de experiência clínica e formação em  hipnoterapia individual e de grupo. Criou e inaugurou o Pronto Atendimento Psiquiátrico em 1987, desde então, adquiriu grande conhecimento e prática em emergências psiquiátricas.

Comentários

Use o espaço, mas lembre-se de todas as regras antes de participar!

Por favor leia nossa política de comentários antes de comentar.

Os comentários estão fechados.

Posts Relacionados